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Desertificação e despopulação são conceitos distintos usados geralmente para caracterizar o fenómeno de perda de população nos territórios do interior, ou de baixa densidade.
Por: Filipe Gil
Esta confusão conceptual está de tal forma enraizada na nossa sociedade, que assistimos frequentemente à sua banalização por atores e políticos com responsabilidade ativa nos territórios.
O conceito de deserticação tem sido utilizado de forma excessiva para descrever um fenómeno social/demográfico, contudo a sua génese está relacionada a um problema ambiental, resultante de alterações climáticas e da atividade humana. Além disso, a sua imagem está umbicalmente conectada a um espaço geográfico.
Desertificação tem origem na palavra deserto, que pelas suas condições adversas é um território inóspito, quase inabitável.
A analogia utilizada pretende vincular duas condições distintas, a perda de população e as condições de vida extremas sentidas no interior do país. A vontade de identificar estes dois problemas numa só palavra despertou a escolha generalizada em empregar o termo desertificação.
Na minha modesta opinião, o conceito de despopulação identifica legitimamente a perda de população dos territórios do interior na sua forma social, demográfica e até geográfica.
As consequências da perda de população nos territórios do interior, não se podem confundir com as características do processo de desertificação sentidas em algumas regiões do interior de Portugal, tais como, Alentejo, Trás-os-Montes, Algarve e Beira Interior, que se caracterizam com a perda progressiva de fertilidade e biodiversidade do solo, tornando as terras áridas e improdutivas.
Nos territórios despovoados, em que a carência de pessoas tem intervenção direta, os solos são invadidos por plantas invasoras que crescem descontroladamente, tornando-se um problema de gestão agroflorestal e do território.
Se num exercício meramente especulativo tivéssemos a pretensão de ligar estas duas questões, talvez um novo conceito possa surgir, despopularborização.
