Élia Marina Lopes João Rocha, é uma jovem, Presidente da União Progressiva de Vale Serrão. Colectividade com muitos pergaminhos, que já deu ao regionalismo algumas personalidades que se afirmaram no regionalismo serrano. Será que esta nova geração de regionalistas, se irá afirmar no futuro? Fica a pergunta no ar...

Serras Online Em primeiro lugar as apresentações. Fale-nos um pouco de si.

Élia Rocha – Nasci em Lisboa, na freguesia de Alvalade no ano de 1975. A minha mãe é natural da bela aldeia de Vale Serrão, também conhecida por Varandas do Zêzere e o meu pai da aldeia de Porto Silvado, no concelho de Arganil. Desde pequena fui habituada a passar as minhas férias no Vale Serrão, quando ainda demoravámos meio dia para chegar. Mas era ali que nós erámos felizes, fora da grande cidade. Casada e com duas filhas, tenho a sorte de ter conseguido passar-lhes o amor que sinto por esta terra.

SO Conte-nos resumidamente como foi eleita para este cargo?

ER – Apesar de já fazer parte da direção da União Progressiva de Vale Serrão, como vogal, desde 2015, o meu antecessor António Barata Lopes, convidou-me em 2017 a concorrer ao cargo de presidente. O que inicialmente me assustou, porque uma coisa é ajudar e estar disponível para o que for preciso, outra é tomar o “comando” de uma coletividade com 61 anos de existência e com tão ilustres pessoas como antigos presidentes, que fizeram tanto pela nossa aldeia.

SOSabemos que o seu pai também foi presidente da UPVS. Terá ficado lá por casa algum “gene” que levasse á aceitação do cargo?

ER – Tenho a certeza que sim, ficou o “gene” de alguém que não sendo natural de Vale Serrão abraçou aquela terra desde que a conheceu em 1969, como sendo a sua terra. O meu pai foi presidente da UPVS por 2 vezes, sendo a última até ao dia em que faleceu, 30 de setembro de 2002. Desde pequena que ouvia falar em tudo o que se passava, nas dificuldades, nos insucessos e sucessos de tentarem trazer sempre o melhor para o Vale Serrão.

SO Como tem corrido o seu mandato?

ER – Já vou no 2º mandato, com reeleição em 2019. Em outubro de 2017, tivemos um grande incêndio que infelizmente deixou a nossa aldeia com mais de 40 casas ardidas e outras com danos consideráveis. Lembro-me que nessa noite, alguns de nós saímos de Lisboa sem pensar nas consequências, mas com o foco no que podíamos ajudar. Foi desolador ver as casas a arder e nós quase sem conseguirmos fazer nada. Agora com esta situação pandémica que estamos todos a viver, vimo-nos obrigados a bem dos nossos conterrâneos e amigos a cancelarmos o nosso almoço anual, que tinha data marcada a 2 de maio e a nossa festa prevista para o 3º fim de semana de agosto. Posso dizer que têm sido anos um bocadinho atribulados, mas que é isto que nos mantem de pé. Nunca foi fácil para a União Progressiva de Vale Serrão e para as nossas gentes, mas com a equipa que esta direção tem e toda a ajuda que outras pessoas, mesmo não pertencendo à direção nos têm dado, e apoio do Poder Local, temos feito com que a nossa aldeia e as nossas gentes não fiquem esquecidas.

SODescreva-nos as suas vivências em terras pampilhosenses nomeadamente na aldeia de que é natural a sua mãe. Com que frequência a visita? Qual a influência que as suas raízes serranas tiveram na sua vida?

ER – Como já tinha referido, as minhas idas ao Vale Serrão são desde pequena, quando tínhamos que levar farnel e parar várias vezes pelo caminho pois a viagem ainda era longa. Hoje é tudo mais fácil, demoramos 2 horas, percorremos 215km e chegamos. Trabalho a 30 km de casa e há muitos dias que eu demoro estas mesmas duas horas, pois atravesso a cidade de um lado ao outro, e penso muitas vezes, “ora, nestas duas horas eu tinha chegado ao Vale Serrão e estaria muito mais feliz!”, apesar de ter a sorte de gostar do que faço. Tentamos ir todos os meses ao Vale Serrão e sempre que por algum motivo falhamos um, ficamos chateados. O maior período de férias é passado lá e sempre que há uma oportunidade de fugirmos, é para onde vamos. Os grandes influenciadores sempre foram os meus pais, que me ensinaram a amar aquela terra e a dar valor às pequenas coisas.

SOPara uma mulher que além de mãe, esposa, com vida profissional como concilia o seu pouco tempo, pois para além do cargo na UPVS ainda tem um cargo na Casa do Concelho da Pampilhosa da Serra?

ER – Tenho a sorte de ter um marido que apesar de ter nascido também na cidade e não ter grandes ligações ao campo, gosta do Vale Serrão. Gosta de lá estar, ajudar a UPVS e está sempre disponível para apoiar e trabalhar em qualquer coisa que seja preciso. Em relação à Casa do Concelho da Pampilhosa da Serra, o Presidente José Ferreira, liberta-me. (risos)

SOSe não for segredo descreva-nos alguns projectos que tem em mente efectuar no Vale Serrão e no regionalismo em geral?

ER – Um dos grandes projetos que temos na nossa carteira é o Lagar do Vale Serrão. O nosso principal objetivo é tentarmos reabilitar aquele espaço. Porquê? Porque está ali o trabalho e o esforço dos nossos pais e avós, para erguer aquele edifício para bem da comunidade da aldeia. E nós enquanto geração futura, temos o dever de olhar pelo que foi feito no passado e nos deixado com amor. Deixar morrer, é não respeitar os nossos antepassados. Mais não posso divulgar.

SOComo vê o regionalismo no futuro? Acha que tem futuro ou acabará por desaparecer por falta de interesse das novas gerações

ER – Acredito que se a minha geração tiver o cuidado que os nossos pais tiveram em trazer-nos para a aldeia, passar férias e reencontrar os amigos do ano anterior, as novas gerações vão continuar o interesse pelo regionalismo. Sempre passei este gosto às minhas filhas, aprender primeiro a gostar de estar na nossa aldeia, de serem elas a pedir-nos para irmos para lá, nem que fosse ir a um dia e vir ao outro. Se conseguirmos, vamos de certeza ter uma geração mais interessada pelo regionalismo. Aprender a gostar, para depois tentarem fazer mais do que nós fizemos. Pessoas novas ideias novas.

SPCertamente acompanha a vida do nosso Concelho. Enquanto cidadã, como o vê hoje, e quais as perspectivas quanto ao seu futuro?

ER – Acho que temos a sorte de ter um Poder Local que tem colocado, a Capital do Sossego e as nossas gentes no mapa. Ainda há pouco tempo não se ouvia falar na Pampilhosa da Serra sem ser porque conhecia alguém que era de lá. Hoje, ouvimos falar pela sua beleza, pela sua gastronomia, gentes, Seaside Sunset Sessions, Filhó Espichada e tantos outros eventos que decorrem ao longo do ano. Quando conseguimos levar um concelho mais longe, conseguimos prever um futuro melhor.

SP – Para terminar, caso fosse convidado e o projecto fosse interessante, estaria disponível para um cargo no poder local na Pampilhosa da Serra?

Estou sempre disponível para assumir algo em que o meu contributo possa ser uma mais valia para o bem do concelho e das suas gentes, pois é com muito orgulho, que faço questão de também ser “das suas gentes”.

                                                                     

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