
João Tomás é um jovem acordeonista e artesão que faz a manutenção deste tipo de ancestral de instrumentos de palheta. Tem raízes na Pampilhosa da Serra, aldeia do Coelhal de onde é natural a sua mãe. Com quatro anos já tocava este maravilhoso instrumento, tendo dedicado grande parte da sua vida a esta arte lúdica.
SerrasOnline – Fale-nos um pouco das suas origens, das suas ligações ao Concelho da Pampilhosa da Serra?
João Tomás - A minha ligação ao concelho é pela parte da minha mãe que é natural da freguesia de Pessegueiro, aldeia do Coelhal.
Desde pequeno que sempre fui habituado a passar as férias de verão na aldeia, tal como os festejos de Páscoa, Natal e outras ocasiões favoráveis à visita aos meus avós que lá viviam.
O carinho pela serra é muito grande não descurando nunca a hipótese de um dia ser lá a minha residência permanente.
SO – Esta profissão ou hobbie que escolheu foi influenciada por alguém ou surgiu por acaso?
JT - A concertina chega até mim pela parte do meu avô paterno, oriundo da Aldeia de Foz de Alvares, concelho de Góis. Ele foi um tocador “famoso” no tempo dele (anos 50). Em aldeias da Pampilhosa como o Machio de Cima, Machio de Baixo, Aldeia do Meio, Aldeia Fundeira e Vale Pereiras, era frequente a sua presença para alegrar os bailes a tocar. Quando ouviam a música, até mesmo durante a noite, as pessoas diziam: “Lá vem o Tomás da Foz”, nome pelo qual era conhecido.
Na aldeia do Machio de Baixo, havia um pequeno menino chamado António João Lopes Sabugueiro que ouvia o meu avô com atenção e decorava as suas “modas” e a sua forma de tocar. Esse menino cresceu com paixão por este instrumento, tendo desenvolvido a habilidade de o tocar e de o reparar também. É hoje conhecido a nível nacional por muitos tocadores de concertina.
Nos anos 80, o Sr. António João convidou o meu pai Aníbal Tomás para tocar com ele no Rancho folclórico da Casa do Concelho da Pampilhosa da Serra e durante este período o meu pai passou a visitar a oficina do Sr António com mais frequência, até que por um acaso decidiu restaurar a concertina do meu avô Tomás, sendo o primeiro trabalho dele nesta arte. Depois deste restauro construiu duas concertinas, dois Harmónios e uma grande amizade com o Sr. António João que o ajudou na elaboração destes projetos.
Eu, nascido em 1994, acompanhei esta amizade e esta arte desde pequeno, o que me fez ganhar uma grande paixão pelo instrumento e pela sua construção e reparação.
Costumo dizer que o meu Avô Tomás, o meu pai e o Sr. António João foram as pessoas que fundamentaram aquilo que sou hoje e o rumo que a minha vida levou.
SO – Vive exclusivamente desta arte ou funciona apenas como complemento de outra actividade profissional?
JT - Neste momento, vivo essencialmente desta arte mas faço também alguns trabalhos como Acordeonista e acompanho o meu Irmão Luís Tomás no seu “Grupo Musical Luís António” que anima muitas das festas do nosso concelho e concelhos vizinhos durante o mês de Agosto.
SO – Constitui decerto um trabalho solitário e de elevado grau de concentração e exigência, mas deve ser altamente compensador?
JT – Sem dúvida que em grande parte é um trabalho solitário e que requer bastante concentração. Sou exigente comigo mesmo e com a qualidade do trabalho que presto, tornando por vezes os trabalhos mais demorados mas que acaba por ser bastante compensador, na medida em que o resultado final tem sempre uma qualidade superior.
Este trabalho é uma arte que requer anos e anos de aprendizagem e desenvolvimento talvez se aprenda durante toda a vida, isto porque estes instrumentos têm uma grande diversidade de materiais. Assim sendo, temos que aprender a trabalhar e manusear cada um deles como por exemplo, madeiras, metais, plásticos, cartão, couro, pedras preciosas, entre outros.
Saber dominar tantas técnicas, ferramentas e materiais é extremamente gratificante, pois é algo que sempre me fascinou desde jovem. Posso dizer que uma grande parte dos meus antepassados eram artesões em diferentes artes e talvez me tenham deixado esta herança.
SO – Como vê o panorama nacional da música popular portuguesa, nomeadamente este tipo específico?
JT - A concertina é um instrumento que está em expansão e neste momento é bastante popular e diria até “comercial” na medida em que é muito presente nos programas televisivos. Atualmente atravessa uma fase de grande desenvolvimento e de procura, com muita gente entusiasta a desenvolver o instrumento de diversas formas.
Já o acordeão com as suas maiores potencialidades atingiu um patamar mais estável e reconhecido sendo hoje utilizado frequentemente em Portugal em diversos universos musicais desde o mais popular até ao mais erudito. É de salientar que falamos de um instrumento relativamente novo. O acordeão com a aparência que conhecemos historicamente tem aproximadamente 200 anos, o que é pouco tempo comparando com outros instrumentos considerados nobres.
SO – Fale-nos um pouco de projectos para o futuro? Existe muita procura deste tipo específico de música, mais em Portugal ou no estrangeiro?
JT – Para o futuro, tenho alguns projetos que gostava de realizar como a gravação de um CD e a construção de alguns instrumentos com características que tenho vindo a desenvolver ao longo dos anos.
O acordeão tem muitas variantes, desde concerto, variettê, folclore, teclas, botões, cromático ou diatónico (Concertina). Assim sendo a variedade de estilos musicais e países onde se enquadra este instrumento é muito grande.
No que toca à Concertina, nós Portugueses temos um estilo muito próprio e instrumentos adaptados à nossa cultura o que faz com que a procura seja muito nacional ou a nível internacional pelas comunidades emigrantes.
Já no Acordeão, temos diversos campeões do mundo Portugueses que fazem um trabalho fantástico tanto a nível nacional como internacional.

SO – Quem o quiser contractar para espetáculos ou para manutenção dos seus instrumentos onde o pode encontrar?
JT - A melhor forma de me contactar é através do meu contacto telefónico 927925993 ou por email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. Para quem quiser ver parte do meu trabalho pode sempre visualizar a minha página, www.Facebook.com/joaotomasafinador.
Acrescentamos ainda diversos links onde se pode ver e ouvir a qualidade deste jovem.
1 - Acordeonistas Portugueses João Tomás
2 - Acordeonistas Portugueses João Tomás 1
3 - Acordeonistas Portugueses João Tomás 2
4 - Acordeonistas Portugueses João Tomás 4
5 - Acordeonistas Portugueses João Tomás 5
6 - Acordeonistas Portugueses João Tomás 6
7 - Acordeonistas Portugueses João Tomás 8
8 - Acordeonistas Portugueses João Tomás 9